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VAMOS ACABAR COM O FUTEMESA?
Sempre que temos oportunidade procuramos saber porque o nosso futebol de mesa não tem a renovação de seus adeptos. Se tem, ela é bastante lenta e quase não percebemos. Todos são unânimes em dizer que a criançada de hoje prefere os games eletrônicos, etc e tal... Aí vem a pergunta: E o que estamos fazendo para, pelo menos, manter aqueles que estão em atividade? Será que estamos encorajando esses baluartes a permanecerem jogando botão? Ou com nossas atitudes estamos criando neles o desejo de parar? Afinal convenhamos que deixamos família e os nossos afazeres, mas sempre estamos dispostos a participar. E nem sempre voltamos para casa satisfeitos. Não por não termos conquistado títulos, mas, na maioria das vezes, pelas atitudes de nossos colegas.

Lendo um artigo no livro do Marcelo Minuzi, por sinal um belo exemplo de botonista, fiquei preocupado e propenso a refletir o que este diz sobre o futuro, ou melhor o fim do nosso esporte.

Sempre que faço as minhas entrevistas eu pergunto se o entrevistado considera o futebol de mesa com tendências egocêntricas. E todos me dão um sonoro N Ã O como resposta. Dizem que, ao contrário da minha pergunta, o futemesa é uma forma de se fazer amizade. Então fico pensando que o que está errado é o modo como enfoco a questão. De agora em diante, passarei a perguntar se o jogador de botão tem tendências ao egocentrismo.

A não ser que eu tenha interpretado de forma diferente, o Marcelo comenta sobre o uso da primeira pessoa do singular em detrimento do nós. Aí me veio na lembrança um fato que sempre me incomoda. Eu sempre vejo as pessoas vibrando com suas vitórias e acho isso muito natural. Ocorre que não vejo alguém apoiando um colega quando este fica chateado e triste por ter sido precocemente eliminado de uma competição. Nós temos o defeito de sempre contar as nossas façanhas sem ouvir aquilo que o nosso interlocutor gostaria de dizer. Eu, por exemplo, já ví gente chorando por não ter conseguido passar para a fase seguinte de um certame que estava participando. Só não vi alguém se aproximar dessa pessoa para lhe dar um apoio, algumas palavras de incentivo. Ao contrário,só escutei comentários jocosos.

O meu time sempre é o melhor, o mais caro e o que mais desliza sobre as mesinhas, porém nunca informo onde e como o conseguí; não digo o que utilizo nos meus disquinhos para que deslizem mais do que os do meu adversário. Minha palheta não gruda nos meus botões, mas não quero que o meu concorrente tenha uma igual. Muitos chegam a inventar materiais que não existem; informam ângulo de seus botões de forma propositadamente equivocada, etc e tal... há até aqueles que gostam de ensinar ao seu colega, porém esse não pode mostrar progresso que logo ganha um rival.

Mas nada está perdido. Felizmente toda regra tem suas exceções e com o nosso futebol de mesa não poderia ser diferente. Há o jogador de botão e há o botonista. Tenho a esperança que, graças a este último, o nosso esporte jamais acabará. Precisamos apenas colaborar na formação de verdadeiros desportistas. Aqueles que vibram, que choram, mas que também comungam na primeira pessoal do plural.

Podem copiar minhas crônicas, por gentileza só não sejam cara de pau para assumir a autoria dos meus escritos)
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