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MARCELO CARIOCA


Olá, pessoal! Hoje vamos entrevistar o grande Marcelo Gumimarães, conhecido por Marcelo Carioca, dada a sua origem. Esse cara é um verdadeiro cigano do futebol de mesa e já defendeu as cores do Rio de Janeiro, Joinville-SC, Teresina-PI e agora joga pelo Carcará de Maceió-AL.

Começamos perguntando há quanto tempo pratica o futemesa e como tudo começou ?

Como toda criança da geração pré-videogames, comecei a jogar botão por volta dos 8 anos de idade.Nessa época jogávamos com botões da Gulliver, botões Brianezzi, e tantos outros tipos que povoavam os anos 70. A bolinha era o que menos importava... jogava com disco, dadinho, bolinha de feltro, bolinha de papel alumínio, cheguei a usar comprimidos como bolinha... (risos). Em 1984, ainda morando no Rio de Janeiro e através de um grande amigo, comecei a praticar o futebol de mesa na regra de 1 toque, chegando a me classificar e disputar o campeonato brasileiro do ano seguinte. De 1988 a 2001, por motivos profissionais, fui morar no interior do estado e tive que pendurar a palheta. Ainda no ano de 2001 fui para Joinville, Santa Catarina, e voltei a jogar o futebol de mesa, desta vez pela regra dos 12 toques, a qual pratico até hoje apesar de atualmente estar residindo na Bahia e não haver adeptos dessa regra no Estado.

No momento você joga por qual time e a que Federação está filiado?

-Atualmente jogo pelo Carcará das Alagoas.

Quais as regras que você joga e qual a que você prefere?

- Já pratiquei 1 toque e 12 toques e me considero mais adaptado e competitivo nessa última. Acredito que a preferência entre uma regra e outra só tem a ver com as características pessoais que determinarão a aptidão, afinidade e a consequente competitividade de cada indivíduo para uma dada modalidade.

Você acha que o futebol de mesa é bem divulgado ou precisa de algo mais? O que seria esse algo mais?

- Nos últimos 10 anos impulsionado por fatores como internet, consolidação das Federeações e surgimento de novas modalidades, o futebol de mesa passou a ser mais conhecido e conseguiu se distanciar da imagem de ser apenas um brincadeira de criança. Os conservadores que me desculpem, mas acho que o futemesa poderia crescer em popularidade e abrangência se deixássemos de lado preconceitos entre a prática de regras diferentes.É absurdo o fato de algumas Federações ainda se limitarem a possuir apenas uma modalidade, sabendo que é exatamente a diversidade que permite pessoas de idade, personalidade e aptidões físicas diferentes possam escolher o futebol de mesa nas modalidades que lhes forem mais atraentes.Outro dia lí um post de um praticante de 12 toques dizendo que 1 toque não era futebol de mesa... Isso é uma das coisas mais idiotas que já ví. Quem faz afirmações dessa natureza só demonstra o total desconhecimento da importância de aptidões tais como estratégia, inteligência e precisão (dentro outras) para praticar a regra de 1 toque de forma competitiva, seja com botões lisos ou cavados.Da mesma forma são inegáveis os requisitos de destreza,precisão, controle emocional e versatilidade necessários para a prática competitiva da regra dos 12 toques. Não considero nenhum grande erro da minha parte afirmar que, para iniciação de crianças e jovens no esporte, esta seria uma regra altamente indicada pelo simples fato de que permite fazer gols com frequencia maior, o que sem dúvida alguma é altamente motivador para esta faixa etária. Dito isso, acho que a CBFM deveria exigir que cada Federação promova a prática regular de pelo menos duas modalidades diferentes do futebol de mesa.

Você acha o jogador de botão, por ser um esporte individual, com tendências ao egocentrismo, tipo sou o bom, perdí porque quis, etc e tal...?

- Pelo contrário. Acho que o botonista é, por excelência, um desportista que preza pela cordialidade, cavalheirismo e respeito por aquele que está do outro lado da mesa.

Quais as suas maiores conquistas e suas maiores decepções nesse esporte?

- Como conquistas importantes posso mencionar os títulos de Campeão Catarinense de 2006 e Campeão Brasileiro Master - Série Prata de 2009. Eu sei qu isso já virou um chavão, mas nenhum título é maior do que as amizades que conquistei nesses 26 anos de prática do futebol de mesa. Decepções? Absolutamente nenhuma.

Qual o seu maior ídolo?

- Os verdadeiro ídolos ou heróis não são aqueles que se destacam pela conquista de títulos, mas sim aqueles que nem sempre sobem ao pódio mas trabalham ardorosamente pela perpetuação e grandeza do esporte. Eu já pratique o futebol de mesa no Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil e percebo que as dificuldades para a prática são muito maiores no Nordeste do que nas outras 2 regiões. Dificuldades financeiras, sociais e geográficas são mais influentes aqui. Tive o prazer e o privilégio de defender por um certo tempo as cores do Fluiminense do Piauí, equipe esta capitaneada pelo Régis Gigante. Nesse período pude acompanhar todas as dificuldades encontradas por ele e as batalhas que ele travou (muitas vezes tirando dinheiro do próprio bolso) para levar a bandeira do Piauí aos campeontos brasileiros. Nem imagino o que se passou na cabeça dele quando o Fluminense/PI levantou o troféu de terceiro lugar da série prata no I Campeonato Brasileiro por Equipes, no Rio de Janeiro. Esportistas como o Régis dificilmente serão reconhecidos como ídolos, mas são eles que fazem o esporte permancecer vivo.

O que você mudaria na regra dos 12 toques?

- Há poucos anos fizemos uma mudança determinando que após um chute a gol, aconteça o que acontecer,a posse da bola será da defesa. Essa mudança não aconteceu para melhorar aspectos técnicos ou de competitividade, mas para eliminar as discussões a respeito da posse da bola após o chute a gol. De certa forma, nos afastamos daquilo que caracteriza o esporte como uma versão em miniatura do futebol de campo. Por mais que digamos que um valor essencial do futebol de mesa é o FAIR-PLAY, acredito que a presença de um árbitro nas partidas deveria ser pelo menos considerada em futuras revisões. Talvez não fosse necessária sua intervenção em todos os lances, mas apenas naqueles em que houvesse divergência entre os adversários e sua arbitragem fosse solicitada.

Acha que o nosso esporte poderá se tornar Olímpico?

- Acho muito pouco provável. Para se tornar esporte olímpico seria necessário que houvesse uma única regra e que fosse praticada da mesma forma em diversos países. Isso sem falar nos requisitos de popularidade, atratividade pra mídia, questões comerciais, patrocínios, etc...

Você considera o futebol de mesa um esporte de altos custos? O que fazer para baratear?

- A prática desse esporte em si não é cara, pelo contrário, considero bastante acessível. Quanto custa um time usado com palheta e goleiro? Muita gente pratica inclusive com times doados por outros botonistas. Por outro lado, a necessária estrutura exigida para transformar e manter um grupo de praticantes numa agremiação reconhecida por uma Federação, envolve custos relevantes.Isso sem falar nos gastos com transporte, alimentação e estadia para a participação em competições regionais e nacionais; acho que a saída é cada vez mais buscarmos clubes ou outras instituições que estejam dispostas a criar departamentos de futebol de mesa e também a busca de patrocínios da iniciativa privada, que poderia beneficiar-se de incentivos fiscais ao conceder tais patrocínios.

Valeu, Marcelo. Fique à vontade para acrescentar algo que não lhe foi perguntado ou evitar aquela questão que não considera importante.

- Acho que o futebol de mesa evoluiu muito em aspectos como organização e estrutura. Uma confederação nacional e federações estaduais bem organizadas e ativas, que produzem ótimos calendários de competições nacionais e regionais. Contudo não esqueçamos nunca a verdadeira razão que nos faz praticar o futebol de mesa ... Por puro prazer e diversão!
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