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MANOEL MOURA


Hoje, vamos bater um papo com o cearense Manoel Moura um dos melhores botonistas do norte e nordeste.Há muito que estava programada esta entrevista, porém só agora tivemos a oportunidade de concretizá-la. Este filho de Quixadá, cidade que muito ama, bate um bolão e tem conquistado muitos amigos por onde anda, pois é realmente um cara diferenciado. Sua educação e cortezia contribuem para que se torne um ídolo do nosso esporte.Conversando com este colunista, ele fala com muita propriedade sobre as coisas do futebol de mesa. Abaixo vamos mostrar como foi a nossa conversa.

1. Há quanto tempo você joga botão e como tudo começou?

- Bom, comecei a jogar com nove anos, depois passei um tempo afastado, cerca de 25 anos, porque com a fase adulta os interesses mudaram as responsabilidades também.Em 2006, um grande amigo de jogos da época de adolescente, o Fernando Feijó, sabendo da minha admiração pelo futebol de botão, convidou-me para uma visita a Associação de Futebol de Mesa Ceará - AFUTMECE.Chegando lá, quando ví o tamanho do campo, os tipos de botões e principalmente a bolinha, foi amor a primeira vista. Resultado, além da boa acolhida dos colegas botonistas, aquele conjunto de inovações foi o suficiente para resgatar de forma arrebatadora aquela paixão adormecida dos tempos de criança e adolescência.

2. Clube e Federação a que está filiado.

- Defendo com muito orgulho o QUIXADÁ, nome da minha terra natal que fica a 170 km de Fortaleza. Estou filiado à AFUTMECE.

3. Cite seu maior ídolo nesse esporte.

- Permita-me não citar um, mas alguns. Aqui no Ceará tenho vários ídolos. Por exemplo: Bill Rôla, um setentão que é um grande exemplo de desportista; O Adail Colares, professor de todos que entram na Afutmece. Eu o considero como um botonista de muita técnica e tática. Não poderia esquecer o Klerton Santana, fenomenal tetra campeão cearense. É um exímio chutador de longa distância, além de sua maneira peculiar de jogar de costas em muitas situações de jogo; Dentro de casa tenho outro grande ídolo, meu filho Guilherme Moura. Aos quinze anos já mostrou ter talento para o esporte. Infelizmente os estudos não estão permitindo uma maior dedicação nos últimos meses.No âmbito nacional sou fã de carteirinha do curitibano Sr. Nilson, tetra campeão brasileiro e do paulista Sr. Muradian, nosso querido Mura. Esses dois são grandes atletas para nos espelharmos.

4. Por ser um esporte individual, considera o jogador de botão com tendências ao egocentrismo (tipo sou o melhor, perdí para um adversário fraco, etc e tal...)?

- Considerando que o futmesa é um esporte individual é óbvio que jogamos para ganhar e recebermos os louros das conquistas individualmente, mas longe de rotularmos como egocentrismo. Mesmo porque sabemos que o nível dos botonistas costumam ser nivelados com pouco tempo de prática. Um atleta que se dedicar ao esporte ao longo de um ano pode ter certeza que fará um jogo duro com um outro que tenha mais experiência. Portanto, o ganhar e o perder, como em todo esporte, faz parte da vida dos atletas.

5. Quais as suas maiores conquistas e suas maiores decepções?

Como falei no início, tenho pouco tempo de regresso ao futemesa. No entanto, o ano de 2009 foi de extrema felicidade para o Quixadá. Além de conquistar o campeonato cearense, fui vice-campeão do Nordestão em Recife-PE. Este último foi uma das maiores conquistas para o nosso estado. Ressalto, porém, que as maiores glórias são as amizades estabelecidas em todo o Brasil.Conhecer pessoas como você, Armandinho, Eder, Hulk, Vandré, dentre outros daí em Pernambuco,é algo que não tem preço(como diz a propaganda do Mastercard). Quanto às decepções foram muitas. Destaco uma que ainda me deixa traumatizado: aconteceu no dia 27/10/2007; eu tinha aproximadamente um ano no futmesa e disputava o terceiro lugar do Primeiro Torneio Galinha Choca. Fomos para as penalidades máximas e tive a vantagem por duas vezes para ganhar e não aproveitei. Nessa oportunidade eu perdí a chance de ganhar meu primeiro troféu. Ainda hoje mantenho pregado na caixa do meu time uma foto do troféu estampado um QUARTO LUGAR. A decepção foi grande porque eu sabia que quase todos estavam ali torcendo por mim. Havia muitos familiares presentes e como eu era considerado a ZEBRA da ocasião motivou os presentes a torcerem pela minha vitória. Uma curiosidade: O nome GALINHA CHOCA dado ao torneio é referente ao principal ponto turístico da minha terra natal. A famosa Pedra da Galinha Choca que é uma formação rochosa conhecida por monólito. Convido aos curiosos para conhecer acessando ao Google e pesquisando em PEDRA DA GALINHA CHOCA QUIXADÁ (procurar em imagens, também).

6. Acredita que, um dia, nosso esporte possa se tornar olímpico? Por quê?

Não. Infelizmente não acredito.Lamento falar, mas nosso esporte está fadado a extinção. Calma, não se desesperem. Não vai ocorrer de uma hora para outra e nenhum de nós, atuais botonistas, estará vivo para presenciar esse terrível fato. É só analisar os campeonatos Brasil afora. Nos campeonatos brasileiros que já participei, a presença infantil é muito pequena e sem a renovação o futuro do nosso esporte fica comprometido. Temos que admitir o fascínio da criançada pelos jogos eletrônicos. Isso é algo incontestável. Na mais tenra idade esse pessoalzinho já começa brincar nos celulares, computadores e vídeos games. Para nosso futemesa se tornar olímpico é preciso um grande número de atletas competidores em diversos países. Nosso esporte ainda está longe de ser uma potência. Acredito ser uma ilusão chegarmos tão longe, porém espero estar completamente errado.

7. Acha que a regra dos 12 toques está perfeita ou cabe alguma introdução ou mesmo extinção de alguns ítens?

- Nunca estará perfeita, pois o esporte é dinâmico e é sempre bom que vez ou outra avaliemos as regras para tornar o futebol de mesa cada vez mais justo e, no nosso caso, mais parecido com o futebol. Uma jogada que não me agrada é o popular ESTOURO. Além de ser deselegante ainda corre o risco de avariar o botão do adversário ou mesmo o nosso. Porém não tenho sugestão de como poderia ser alterada essa jogada. Uma sugestão de mudança de regra seria a proibição de um mesmo botão dar quatro toques consecutivos. Explico: muitas vezes damos três toques com um botão, erramos com um outro propositadamente e/ou estrategicamente e em seguida damos o quarto toque (literalmente) com o botão com o qual já havíamos dado os três toques permitidos. Voto na proibição deste tipo de jogada.

8. O que acha da introdução de um árbitro em jogos dessa regra?

- Na verdade eu nunca sentí a falta de árbitro em minhas partidas. Sempre prevaleceu o bom senso e o fairplay. Mesmo porque há três anos venho participando de campeonatos no Brasil afora, alguns com até sessenta mesas, e nunca ví problemas que não sejam resolvidos pelos botonistas, exceto uma situação em Blumenau-SC que foi solicitado um árbitro. Além de achar quase inexequível a presença de árbitros para os grandes torneios.

9. Campeonato Brasileiro ou Copa Brasil,qual a melhor competição a ser disputada?

- Eu,particularmente, gosto muito do Campeonato Brasileiro por reunir o maior contingente de botonistas. Quando vejo mais de duzentos atletas participando naquele saudável clima de disputa, fico mais empolgado em difundir o futmesa.

10. Considera o futemesa um esporte caro para ser praticado? Como baratear os custos?

- Eu considero um esporte de baxíssimo custo. Hoje com menos de R$ 200,00 podemos adquirir um material bem competitivo e que pode durar por muitos anos. No meu caso, por exemplo, fiz o meu time do Quixadá há três anos por uns R$ 120,00 e confesso que não estou sentindo a necessidade de comprar outro por desgaste de material. Agora, não resta dúvida que, se você é um colecionador ou um botonista compulsivo-obsessivo, para adquirir novos times, haja grana...

11. Por que temos dificuldades em achar o produto adequado para limpeza dos botõs?

- São inúmeros os produtos utilizados e nem sempre chegamos a um denominador comum.É bom lembrar que o clima de cada região pode favorecer ou não determinado produto.Isso sem contar com as condições das mesas que podem apresentar um diferente coeficiente de fricção cinética em relação aos botões. Na realidade, eu nunca tive difuldades em polir em cima meus botões. Eu uso um produto indicado pelo colega Adail Colares. É uma pasta cremosa e incolor, usada para calçados. É um produto da marca Bucky ao qual me adaptei muito bem. Pena que esteja em falta aqui em Fortaleza. Agora, na parte debaixo dos botões, confesso que até hoje não descobrí um produto eficiente.

12. O que você acha da ideia das federações conhecerem antecipadamente a bola que será usada nas competições nacionais? A verdade é que sempre treinamos com um determinado tipo de bola e quando chegamos para disputar tais certames a bola é completamente diferente. Ou é mais leve ou é mais pesada e por aí vai...A própria FIFA dá conhecimento prévio da bola que será usada nas Copas do Mundo.

- Acho uma excelente ideia. A bola nesses torneios é sempre uma surpresa para nós botonistas e isso gera uma expectativa para o primeiro contato que sempre acontece momentos antes do ínicio dessas competições. Portanto, termos a oportunidade de treinar com a bolinha de cada torneio seria uma boa. Porporcionaria jogos mais equilibrados e mais técnicos, haja vista que os atletas estariam mais adaptados com o tipo de bola.

13.O que fazer para evitar mesas que não ajudam no desempenho desse esporte? Há um material adequado para isso?

- Com relação às mesas acho que temos bons fornecedores aqui no Brasil. Esses confecionam mesas de boa qualidade com madeira do tipo aglomerado. Entretanto, é da maior importância o cuidado com a limpeza e guarda das mesmas. Sempre cobrí-las quando não estiverem sendo usadas.É bom lembrar que fatores climáticos também interferem na qualidade desses acessórios.

- Manoel, muito obrigado pela atenção. Fique à vontade para acrescentar algo que ache necessário.

- Para finalizar, agradeço imensamente o convite para conceder essa entrevista. Aproveito a oportunidade para expressar minha incomensurável satisfação de fazer parte desta querida família apaixonada pelo FUTEBOL DE BOTÃO e torço para que cada um possa, sempre que possível, enaltecer a prática desse esporte. Abraços a todos e o meu muito obrigado.
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