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MATHEUS TINÉ


Quando voltamos a praticar o futebol de mesa, nos idos de 2007, notamos que na categoria sub-15 havia um garotinho que jogava muito bem, apesar de mal conseguir tocar nos botões tendo em vista que a mesinha era muito alta para ele. No início até pensamos que ele fosse filho do excelente Armandinho, dado o seu estilo de jogo ser muito parecido com o do ídolo nordestino. O Matheus era uma criança muito inteligente e muito segura de si. Gostava de usar os cadarços dos sapatos soltos e ai daquele que se propunha a amarrar os tais.

Mas, o tempo passa muito rápido. Daquele garoto magrinho ficou a lembrança dos seus bons desempenhos no futebol de mesa, apesar dos poucos títulos alcançados nessa época. Certa vez chegamos a dizer-lhe que, na qualidade de discípulo do mestre Armandinho, já era hora de mostrar serviço conquistando mais títulos em sua categoria. Diante de sua extrema educação, o Matheus apenas ouvia. O tempo se encarregou de dar a resposta certa, no momento certo.

Hoje, mais crescido, o jovem Matheus deixou de ser uma promessa para se tornar realidade. Podemos incluir seu nome entre os melhores jogadores do futemesa pernambucano. Assim sendo, não perdemos tempo e fomos conversar com o jovem astro do Recife Arena.

 Vejamos o que nos disse:   

  1. Desde quando você joga futebol de mesa e por que não fez como a maioria das crianças que optam pelos games e play stations da vida?

- Comecei a jogar futebol de mesa no ano de 2006, em Recife. Acredito que o que me fez pôr o futmesa como meu hobby favorito foi a paixão pelo jogo mesmo, pois ao contrário da maioria dos botonistas, nunca brinquei de futebol de botão num campo estrelão, ou com botões de camisa ou de plástico, conheci o futmesa já como esporte, e assim me apaixonei.

  1. Acreditamos que você foi e ainda é um discípulo do Mestre Armandinho (um dos melhores jogadores de futebol de mesa do Brasil). Nessa situação, cremos que ele lhe orientou desde as dimensões e grau ideais para o seus botões, tipo de palheta, material a ser usado nos botões, modo de chutar, etc e tal... Estamos certos nisso?

- Completamente certos. Fui discípulo, sou, e sempre serei discípulo de Armando. Conheci o futmesa graças a ele, e aprendi quase tudo que eu sei sobre o esporte com ele; lembro que no dia que o conheci não sabia nem como se segurava uma palheta e hoje já consigo fazer uns golzinhos de vez em quando. Meu primeiro time foi feito pelo pai de Armandinho, minha primeira palheta havia sido dele, aprendi a chutar como ele, etc. É claro que no meio da trajetória no esporte eu fui encontrando algumas preferências minhas, mas a base do meu jogo é muito parecida com o jogo dele.

  1. Por que você, mesmo discípulo de um grande mestre, demorou a aparecer como o grande jogador que você é hoje?

- Acredito que essa demora ocorreu devido ao fato de ter começado do ZERO mesmo. Não sabia nem segurar uma palheta, passei seis meses me encontrando com armando duas vezes por semana. Joguei meu primeiro campeonato oficial em 2007, mas só comecei a jogar um futebol de mesa com um pouco mais de qualidade depois de uns quatro, lá pra 2011. O reconhecimento maior veio quando passei a jogar na categoria Adulto, contra botonistas mais renomados como Humberto Securão, Sergio Aragão, Diogo, Flávio, Pena, etc. Querendo ou não, quando se joga a categoria infantil/juvenil (Aqui em PE, ou até no nordeste como um todo) você não recebe muito reconhecimento encima das suas conquistas, é preciso jogar de igual para igual com figuras conhecidas para ser mais respeitado.

  1. Atualmente temos acompanhado suas conquistas. Você tem conhecimento que já faz parte do seleto grupo de bons jogadores de botão do nosso Estado?

- Acredito que ainda não estou nesse grupo, mas espero estar. Acho que nesse momento estou chegando num nível de futmesa bom, mas o mais difícil não é ganhar um campeonato, ou uma copa, é se manter encima por anos, como faz o Pena (tricampeão do nordeste) ou Armandinho (Dispensa comentários).  Se daqui a dois ou três anos eu não tiver uma queda de rendimento, poderei me considerar no grupo de bons jogadores de Pernambuco.

  1. Por falar em conquista, quais foram as que mais lhe marcaram? 

- Eu guardo com carinho todos os amigos que fiz no futmesa, e também minhas conquistas individuais, mas a minha conquista preferida talvez tenha sido a com menos importância em termos técnicos. No primeiro ano em que joguei campeonatos oficiais, o Pernambucano era dividido em seis etapas e, como era esperado pro meu primeiro ano, só fiz apanhar e levar goleadas durante todo o ano. Hehehehe! Entretanto na sexta e última etapa, realizada no Santa Cruz, eu consegui ser campeão pela primeira vez na vida. Lembro que na premiação fiquei muito feliz de conseguir, depois de um ano de treinos e dedicação, conquistar algo, mesmo que o título não valesse muito no campeonato daquele ano. Até hoje guardo com carinho o troféu daquela etapa e minha foto bem novinho recebendo o troféu, que coloquei num porta-retrato no meu quarto.

  1. Você já teve alguma decepção com o futebol de mesa? Quais?

- Já tive algumas decepções que não se relacionam com o esporte, mas sim com alguns botonistas, porque acredito que esse esporte não induz ninguém a desonestidade ou a falta de educação, alguns botonistas o fazem assim. Exemplo é o que não falta para nós que somos desse meio e conhecemos nossos “colegas esportistas”, e acho que esses exemplos não merecem nem ser citados.

  1. Acredita naquela história que FUTEBOL DE MESA É UM ESPORTE DE SE FAZER AMIGO? (Eu, particularmente, não creio nisso).

- Eu acho que em qualquer esporte, a tendência é que a competitividade “passe por cima” da amizade, eu não julgo isso certo ou errado porque acho que é algo natural do ser humano (da maioria, claro!). O que eu acho que pode ser feito para evitar desgastes e fortalecer as amizades que fazemos graças ao futmesa, é o que eu me esforço ao máximo para fazer (mesmo que às vezes eu não consiga): Ser o mais competitivo sem perder o cavalheirismo enquanto estiver na mesa, e o mais amigo possível fora dela. Acho que se deixarmos a competição apenas na mesa, o ambiente fora dela e nossas relações de amizade seriam muito melhores.

 

  1. Quais são os seus ídolos nesse esporte?

- Meus ídolos são o Armandinho, que ensinou quase tudo que eu sei sobre o futmesa e se mantém por anos jogando em alto nível; Também admiro muito o futmesa de Humberto Securão, que tem uma precisão incrível nas mãos; Admiro muito também o controle psicológico de Pena na mesa, e por fim sou um fã do Robertinho do PR, o cara joga demais, é um monstro, nunca vi ninguém jogar no nível dele.

  1. Você considera que a recente divisão que ocorreu em nosso Estado só veio para o prejuízo do nosso futemesa, ou isso nada ocasionou?

- Creio que a situação é prejudicial sim, a divisão nunca é bem-vinda, já não temos tantos botonistas quanto antigamente e a renovação de botonistas é quase nula. Dividindo o pouco que temos ficamos mais enfraquecidos como estado.

  1. Com essa divisão você e muita gente que conheço não mais poderão participar de competições nacionais. É justo isso?

- Acho que não posso definir isso como justo ou injusto. De fato o Campeonato Brasileiro é o meu torneio preferido de jogar, conheço mais gente a cada ano, troco times, conheço novos materiais de palhetas, assisto a grandes jogos, etc. E desde que fui pela primeira vez em 2009 participei de todas as edições (menos a desse ano que ocorreu depois da divisão aqui no estado), é claro que é um torneio que eu participaria todo ano se tivesse o direito de fazê-lo, mas tomei uma posição completamente arbitrária. Não estou apto a jogar campeonatos brasileiros por decisão minha, adoro participar, mas nesse momento, não é a coisa mais importante.

  1. Você espera que essa tempestade passe um dia e a paz volte a reinar em nosso meio futemesista? Qual a sua opinião sobre tudo isso e o que você aconselharia visando a união de todos?

 

- Espero, com certeza. Para o bem do futmesa pernambucano, a divisão vai cair por terra em algum momento. E talvez essa futura união de todos possa formar um Pernambuco ainda mais forte no cenário nacional. Para o fim dos problemas, eu aconselharia que o esporte e seus praticantes fossem os pontos mais visados, e as brigas pessoais e o orgulho fossem deixados mais de lado, senão a resolução dos problemas se torna muito mais difícil.

Esse é o Matheus! Um cara que todos aprendemos a gostar e a respeitar.

P.S. Entrevista lida e autorizada a sua publicação pela tutora do Matheus Tiné, consoante documento em nosso poder.

 

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