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SÉRGIO ARAGÃO


Olá, pessoal! Hoje vamos bater um papo com o Sérgio Aragão, um dos melhores jogadores de botão e botonista de Penambuco. Apesar de residir em Mossoró, por motivos profissionais, ele sempre mantém contato com a galera da terrinha. O Sérgio é aquele cara espoleta que não gosta de perder nem jogo de palitinho; não tem medo de cara feia e placar adverso lhe serve como estímulo. Não desiste nunca.Nós o convidamos para essa entrevista numa condição de não fugir das perguntas mais, digamos assim, polêmicas.Ele topou o desafio e só ficou em cima do muro quando perguntamos quem, na sua opinião, é o melhor botonista de nosso Estado. Citou vários. Assim não vale! Mas tudo bem, vamos fazer de conta que não notamos essa colocação politicamente correta...

1. Você acha que o futebol de mesa é realmente um esporte cujo objetivo principal é fazer amigos?

- Olha só: vou responder por mim, tá certo? Sempre tive essa finalidade. Ganhar, perder faz parte do jogo. Todos estamos fadados a isso, porém construir novas amizades é algo mais duradouro, mais prazeroso. Por exemplo: qual é melhor jogar uma boa partida e depois ir para casa, como se nada houvesse ocorrido, ou disputar umas partidinhas e depois ficar naquele bate-papo descontraído, tomando aquela cervejinha gelada e ficar esperando o garçon nos colocar pra fora? Isso para mim é o essencial.

Pô meu, o Sérgio tá falando bonito pra caramba! (grifo nosso)

2. Vamos falar tecnicamente agora. O que você acha do nível do futemesa em nosso Estado?

- Como estou ausente e tenho acompanhado mais pela internet fica difícil para responder. Mas esse ano acho que o nível melhorou por conta da entrada de novos botonistas, principalmente do Sport Recife, e do retorno de outros grandes botonistas que estavam afastados.

3.Mas se esse nível é tão bom, por que os campeões são sempre os mesmos? Não considera isso como fator desestimulante?

- ZZ, os campeões não mudam porque os hábitos dos seus adversários são sempre os mesmos. Na maioria das vezes essas pessoas têm chance de mudar a história, porém quando vão decidir uma final, com aqueles considerados CAMPEÕES, já entram perdidos e se conformam com o título de VICE. Acredito que o maior estímulo que um desportista pode ter é o de quebrar hegemonias.Colocar a faca nos dentes e enfrentar o GIGANTE de frente. Isso sim é estimulante...

4. O que fazer, então, para mudar essa situação?

- Essa é uma questão muito particular. O bom seria que todos jogassem todas as partidas como se fossem finais de competição. Muitas vezes eu ouvi de vocês que faço muito barulho, que não sei perder, etc e tal. Entretanto, esse é o meu espírito. Não gosto de perder seja em qual parte da vida for.Mas, para finalizar essa questão, creio que só se muda isso com ATITUDE. E isso poucos têm.

( a conversa tá ficando boa, vamos cutucar mais essa fera...)

5.Tal qual pensamos, você diferencia o jogador de botão do botonista?

- Sim, claro. Acho que em Pernambuco temos muitos jogadores de botão, e bons!Pessoas preocupadas mais em se vangloriar de algum resultado do que ajudar o futebol de mesa a crescer. O verdadeiro botonista briga pelo seu jogo, assim como todo torcedor briga pelo seu time. Precisamos mais desses do que daqueles que só se preocupam em colocar o time na mesa e, de preferência, vencer.



6. Por falar nessas coisas, você acha que a nossa Federação está efetivamente engajada no futebol de mesa como um todo, sem preferência por tipo de regra?

-Desde que exista uma divisão de regras, ela (Federação) não pode estar engajada no esporte. É claro que quem for presidente da Federação sempre vai vender o seu melhor peixe para a regra que pratica. Isso é um fato e atrapalha muito o crescimento do nosso esporte.

6.Você acha que, devido a essas divisões, não há uma renovação efetiva no quadro de praticantes desse esporte?

- Isso é um fato. Isso está diretamente ligado à ineficácia da nossa Federação. Tenho acompanhado a luta do Armando Pordeus que tenta levar o nosso esporte para as escolas. Essa é uma das atitudes que deveriam partir dos nossos mandatários. Os clubes também deveriam fazer isso. Hoje as coisas são muito diferentes do nosso tempo de criança. Na nossa época não tínhamos essas parafernálias virtuais. Videogames eram objetos inacessíveis, era um luxo que somente poucos tinham direito a ele. Hoje, qualquer casa tem um PS por conta da facilidade em encontar e comprar tal equipamento. O jogo de botão passou a ser coisa de quem gosta mesmo.Está deixando de ser um esporte e se tornando um hobby. Se não abrirmos os olhos pra essa realidade a situação pode piorar. O futemesa não pode ser somente uma herança de pai para filho. Tem que ser mais que isso. É necessário que a Federação promova workshops , torneios relâmpagos, promover os fabricanes do Estado, que são muitos mas vivem no anonimato. Enfim são diversas atitudes que a Federação deve tomar e não ficar nesse marasmo que em nada ajuda.

7. Por falar em fabricantes, você não acha que o nosso esporte é caro para se praticar?

- Se a pessoa pensar no primeiro momento pode ser caro. Ocorre que estamos falando de um produto cujo prazo de validade é alto. Então a relação custo/benfício não é cara. Por exemplo: há uns vinte anos eu ganhei o meu primeiro time oficial e esse existe ainda hoje e em boas condições, por sinal.É um produto que não se acaba facilmente. Agora, com relação às depesas com participação em torneios, principalmente fora do Estado, a situação se modifica e se torna caro. Mas nada que outros esportes amadores também não o sejam.

8. Sergio você é polivalente. Já jogou em várias regras e atualmente pratica a dos doze toques.Você faria algumas modificações nessa última?

- Não. Acho que cada regra tem a sua particularidade. A dos doze toques tem a simplicidade a seu favor. Não mudaria nada nela.

9. Mas temos visto muito neguinho querendo ganhar o jogo na marra. Você não defende a presença de árbitros nas partidas dessa regra?

- Vou lhe contar uma historinha: certa vez eu fui jogar com um tal de Joaquim de Maceió e dele eu escutei uma das frases mais bonitas sobre essa regra. Ele me disse: SÉRGIO, BOTÃO É UM ESPORTE DE CAVALHEIROS. Daí concluo que não precisamos de árbitros nas mesas e sim de cavalheiros. Esse é o grande diferencial.

10.O que você acha da ideia de se conhecer a bola que vai ser usada nas competições com antecedência mínima de um mês? Vejamos o caso da Copa do Mundo onde a FIFA dá conhecimento antecipado da bola a todas as seleções que irão participar desse evento. O mesmo acontece com a LIGA DOS CAMPEÕES DA EUROPA.

- No mínimo é essencial. È duro você sair de sua cidade ou do seu Estado e ser apresentado à bola do campeonato na hora do jogo.Já passamos por isso e sabemos o quanto é difícil, principalmente no primeiro dia. Seria muito bom se pudéssemos conhecer com antecedência. Isso, no mínimo, daria um pouco mais de oportunidade aos botonistas de Estados diferentes do eixo onde essas competições são realizadas.

11. Por falar em campeonatos brasileiros, por que Pernambuco sempre fica ausente das competições por equipe. O que você faria para acabar com esse incômodo?

- Tudo começa com o fortalecimento das equipes. Não dá pra exigir que os clubes participem de campeonatos nacionais se não temos esse tipo de competição a nível estadual.Quando houve, surgiram vários problemas inclusive pessoais. Então, o primeiro passo é o fortalecimento das equipes; depois vem a questão de patrocínio, apoio de Prefeituras, etc... As alternativas são muitas, porém parte do princípio de tornar as equipes fortes, organizadas e competitivas.

12.Em caso de participação nesses certames, você acha que teríamos chance de títulos?

- Temos grandes botonistas e grandes jogadores. Com certeza teríamos chances de estar entre os primeiros.Títulos, talvez não, mas certamente não faríamos feio. Entretanto, só o fato de participarmos já seria um grande vitória para todos nós e Pernambuco seria mais valorizado.

Sérgio vamos agora pra um jogo rápido...

Um botonista em Pernambuco?

- Ih! Essa foi dura! Seria injusto citar só um. Permita citar vários: Zé Edson, Eder Sergio, Armandinho, Seu Marcos e Penna.

O melhor jogador de botão do nosso Estado?

- Penna.

Nosso campeonato é bom?

- Muito bom, principalmente a categoria master. Ela é nivelada por cima.

O que nos falta?

- Curto e grosso: UNIÃO

Estamos no caminho certo?

- Voltaram ao rumo certo. 2009 é um ano pra se esquecer...
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